“Trotskiy” 8 episódios (eu vi 2), 2017.

Eu estava curioso com esta (a personagem é mui curiosa..) apesar da crítica e do buzz serem especialmente negativos...
Antes de mais as considerações políticas e geoestratégicas não pingaram nada aqui, de maneira nenhuma eu alguma vez fui um trotskista (nem podia depois do que ele me fez aos camaradas em Kronstadt) e quanto a simpatias com o actual regime russo, suponho-me isento.
Mas isto é mau.. apesar de inovadoramente mau (quase que deu vontade de me torturar com o resto dos episódios, mas depois lembrei-me que sou velho e o tempo me é precioso). Antes de mais: a série é lindíssima, bem filmada, óptima fotografia, daquele bom do cinema antigo e da tv moderna, visualmente demasiado bom, guloso... mas depois tudo o resto é demasiadamente mau:
primeiro é uma fantasia cyberpunk da revolução russa, está assim para a mais mínima proximidade com os factos como o Sherlock Holmes do Guy Ritchie está para o do Conan Doyle... há nela toda um suave anacronismo e absoluta confiança que (no meu tempo de vida só) tem sido apanágio dos ianques, nunca melhor ilustrada do que no facto de na viagem de combóio entre Paris e Viena que o Trotsky faz para ver uma conferência do Freud (algo que se te parece saído duma “Aventura do Indiana Jones enquanto jovem” é só porque, obviamente, nunca aconteceu), não só os picas do combóio falarem fluentemente russo (claro!) como terem barretes da Guarda Nacional Republicana de 60 anos depois... diz lá que não parece mesmo que os russos estão confiantes de virem a ocupar o espaço cultural que os ianques (ainda) detêm.

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