“Brandos Costumes” Alberto Seixas Santos, 1975.

Deste já tinha ouvido falar mas nunca tinha visto, estava a dar já não sei em que canal do estado e aproveitei... e em boa hora!
O filme é muito muito bom; isto para os historiadores ainda há de ser “cinema novo” mas já sendo pós-revolucionário deu ali uma soltura muito séria (nem debaixo do pano isto passava pela censura, mas mesmo estética e estruturalmente a coisa dá um salto muito sério). Para quem conhece o cinema intelectual pesporrente português posterior reconhece o germe da coisa aqui, mas a doença ainda não está encubada e há uma soltura, um desempoeiramento, modernidade e soltura (tomatinhos, coragem) que depois só vemos no César Monteiro.
O filme é meio em retalhos em ciclo fechado na vida duma família burguesa lisboeta: o pai (que a literatura cola ao Botas por causa dos cortes com reportagens do dito, mas que eu acho uma leitura imediatista e falha) e a mãe (para mim o grande papel), uma avó meio destrambelhada, duas filhas (uma a solteirar muito conservadora e uma mais nova a meter as unhazinhas de fora) e a inevitável sopeira.
Os quadros familiares são Lobo Antunes autêntico, absolutamente brilhantes, e o filme tem uma inteireza no fim que é rara no cinema português...
eu acho que esta é capaz de ser a obra-prima que me faltava na história do cinema nacional (tapa um buraco que tinha na minha cronologia interna) e acho-o, tanto histórica como esteticamente obrigatório,
deixo-te um link com o filme todo:
se lhe quiseres dar só uma cena, vê a partir dos 34minutos e 40segs, só para o saborzinho.

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