“Idomeneo Re di Creta” WA Mozart, 1781 (enc. Peter Sellars, dir. Teodor Currentzis, Orquestra Barroca de Freiburg, 2019).

Está a dar na RTP2 e como nunca ouvi esta última ópera velha do tio Wolfgang Amadeus (antes do pontapé na forma que foi “O Rapto do Serralho”) fico a ver...

Antes de mais, o Mozart é como a pizza: quando é bom é muito bom e quando não é bom, mesmo assim é bom que chegue. Aqui estamos perante o bom que chegue... há um ou outro momento em que se antevê o génio que aí vem, mas a coisa ainda está muito espartilhada pela forma... a posteriori parece que sentes o Mozart a querer romper a forma, mas ainda a empurrar a película.

Verdadeiramente espantosos, assim de encher as orelhas são claramente a Ying Fang como Ilia, o Russell Thomas como Idomeneo e a Nicole Chevalier como Electra... são de chorar de emoção pura... e no caso da Ying Fang especificamente, uma chinesinha de metro e meio, o som que sai daquela mulher é quase sobrenatural, paranormal, mágico.

Notas muito específicas e absolutamente pessoais: cada vez acho mais que ópera quanto menos encenada melhor... os figurinos, entradas e saídas, cenáriozinho e adereços (para não falar nos numerozinhos coreográficos ex machina) são absolutamente desnecessários, para não dizer nocivos por distração... e francamente estas escolhas do Sellars (por mais incensado que seja actualmente) não são escolhas, são escolhos. Foleiro, mesmo foleiro a coreografiazinha das personagens principais (como se fosse preciso sublinhar o equilíbrio perfeito do Mozart), foleiro o numerozinho coreográfico final... foleiro foleiro foleiro.

Finalmente... ópera não é coisa que se filme em planos muito fechados... não só a malta sua muito mais do que parece bem filmado; como são treinados para exagerar movimentos e expressões faciais (para a malta da última fila) que quando filmados em plano fechado se tornam necessariamente ridículos.


 

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