Raminhos.

Eu como gosto muito do Marco Aurélio gosto pouco de me queixar, ou pelo menos que me vejam a queixar-me, mas às vezes tem de ser. Os inúteis e os incompetentes também têm direito à vida e ao quentinho e a comer todos os dias como o resto da malta, mas há limites para tudo até para a minha santa e inexorável paciência e eu, que começo a ser velho, começo-me a convencer que nem um fã da bola que para o humor cá no torrão também há um sistema.
Quando o Solnado construía os seus mais históricos trabalhos (o “História da minha vida” ou a “Guerra de 1908”) o que a malta via na televisão era o Max com um lenço na cabeça a fazer negaças de velha; quando o Herman rasgava tudo no princípio dos 80 era só Nicolau e Francisco Nicholson (num sábado bom lá nos deixavam ver a Ivone); no píncaro da força os Gato Fedorento estavam remetidos para a Sic Radical enquanto todos os outros meios nos tentavam convencer que o Nuno Markl é que era o génio cómico da geração (mais o Madeira e o resto da escumalha série b das Produções Fictícias)... e agora a última estrela que tem mesmo muita gracinha e se não acreditas à primeira nem à segunda leva lá com ele mais 354.000 vezes a ver se te convences que já dizia o tio Goebbels que à força de repetir uma mentira ela às tantas torna-se na verdade, é o Raminhos.
Eu não levo a mal ao Raminhos ter começado a carreira a explorar as próprias filhas muito menores em vídeos foleiros para o youtube, eu não lhe levo a mal ser foleiro, básico, mais do que previsível, um absoluto eunuco cultural e social com o efeito no zeitgeist dum dedo num balde de água, foda-se! eu nem sequer lhe levo a mal não ter graça nenhumazinha mesma... disse lá em cima: os inúteis e incompetentes também têm direito ao pão com manteiga e à malga de caldo! Mas poupem-me!! O cabrão do sistema que me poupe, que aprenda que não vale a pena, que nos podem injectar as criaturas por todos os meios que no fim nós só nos rimos com o que tem graça... o Raminhos vai necessariamente para o mesmo caixote de lixo da história para onde foram o Max e o Nicholson e o Markl... por muito que a TSF me faça esgravatar por entre 45 minutos de Raminhos, mais 10 de Madeira e Ana Bola (eu fiz as contas!) só porque sim, eu vou encontrar os 3 brilhantes e iluminados e cheios de dentes e sanha minutos do Bruno Nogueira e do João Quadros... porque só esses 3 minutos semanais é que justificam o separador “Humor” no site da TSF; 
exemplo:
o resto, como diria o Ega ao Carlos da Maia, é malta que falhou a vida, menina.

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