“Britain AD” Francis Pryor, 1 de 3 episódios, 2004.

Divulgação histórica televisiva britânica há muita, quando corre bem às vezes corre muito bem, quando corre mal, corre sempre muito mal. Este caso é dos que corre mal.

Partimos de um pressuposto simplista em que já ninguém realmente acredita na academia e com um quarto de dúzia de afirmações passamos imediatamente ao “a academia está AGORA a repensar radicalmente não-sei-o-quê” como se o programa que estamos a ver tivesse agência nessa suposta (e contemporânea) mudança de olhar (quando na realidade o truque é partirmos de um ponto mais que ultrapassado);

junte-se a isto o “EU descobri provas” e o “EU reuni evidências” da narração que se esfumam em “há quem diga” ou “ainda há quem pense” das entrevistas com os tipos que realmente descobriram e desenterraram seja lá o que for (e mesmo assim eles riem-se um bocado sobranceiramente das perguntas postas);

para acabar no verdadeiro cenário de horror ingénuo e disparatado da construção de história cultural que se faz: “tribos” tratadas exclusivamente por heterónimos, uma suposta “não-colonização” só porque esta foi complexa e não-totalitária no genocídio cultural (como se tivesse havido alguma simples e total) para não falar na bendita abstracta etérea cultura britânica (versão ph puro) que aparentemente sobrevive a sucessivas adições populacionais, totais reformas religiosas durante milénios e milénios... uma tal “alma” nacional como diz o próprio Pryor...

francamente, nem para limpar o rabo, porque claramente a coisa não é suficientemente absorvente.

 

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