Diz, diz outra vez, repete, diz, repete, repete, repete, repete diferente, repete, repete, espera, repete...
Agora falando a sério, se é mesmo para enfrentares o público desta outra maneira, prepara-te.
Cantava o tio João Sebastião “venham filhas, ajudem-me a queixar-me!”... sim é meio trágico, mas tu vens das tábuas e tens o dever de reconhecer a beleza da tragédia. Prepara-te caríssima para dizer e repetir e dizer e repetir e dizer e repetir e no fim de repetires 30 vezes haver uma que ouviu e mesmo assim mais ou menos e no dia seguinte recomeça.
Há uma coisa-por-acontecer que quem vem do teatro (em contraposição a quem vem do set do filme ou da tv) deverá reconhecer imediatamente. Agora imagina que as palmas são um muito discreto brilho nos olhos dum muito especifico/a aluno/a, imagina que as palmas são o vislumbre de confusão que se vê muito evidente quando consegues pôr alguém a repensar se não tudo, pelo menos uma parte séria das coisas...
Agora imagina que esse enorme rush, apesar de tudo, apesar do ordenado de merda, apesar da burocracia de merda do ministério, dos merdas do ministério que têm ideias inovadoras sem terem nunca tocado nas paredes escalavradas duma escola, sem sequer nunca terem vislumbrado o médio-medonho horroroso encarregado de educação, quanto mais as ignaras crianças a quem é suposto inocularmos a beleza lírica da poesia maneirista quando os pais dos pais deles não sabem muito bem o que é um jornal e a minha segunda melhor aluna da minha melhor turma a Português, no 5º ano, não me compreende a diferença entre um artigo jornalístico e um anúncio da Remax.
Prepara-te camarada.
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