“Borgia” 1ª temporada, 2011.

Já te falei nisto, portanto resumindo: Bom, muito bom mesmo às vezes... pobre no melhor estilo toda a gente na Europa meteu guito e fazemos o melhor que podemos, mas bom porque não é a pornochachada do costume quando mete os Bórgias, conseguimos ultrapassar a lenda negra do Júlio II (o Giuliano della Rovere) e do Puzo e fazer desta gente humanos.

Bom porque filmado na Cinecittà, em Viterbo e na República Checa e não notas as passagens duns para os outros (eu conheço metade das salas e sei onde são porque vejo demasiadas séries históricas) portanto grande trabalho dos anotadores.

Bom porque apanham completamente a personalidade do Rodrigo, da Lucrezia, dos futuros papas della Rovere, Medici e Farnese... o ultra-catolicismo torturado do Cesare parece-me demasiado sublinhado, mas vá, os tipos eram muito mais assim do que não, o Cesare não teria sido a minha escolha, mas é melhor que haja um.

Bom porque roupa e ambiente completamente apanhados (os figurinos são lindos e completamente da época ao milímetro), damo-nos ao trabalho de acertar com os escudos das famílias o que me põe logo a mandar beijinhos ao consultor histórico e à produção, sempre lente fechada, que não há dinheiro para a escala, mas o que vês é rico e certo e até dá gosto.

O guião anda ali muito colado ao que sabemos mesmo, umas puxadas para a frente e outras para trás, umas aceleradelas nas sombras da História, mas sempre no absolutamente razoável, até porque com esta matilha dá para fazer muito e nunca parecer exagerar, no fim o esforço para conter a lenda negra juliana é tal que parece quase revisionismo, estou desconfiado que vamos sair daqui com uma quase hagiografia não só dos que merecem (como a Lucrezia) mas também dalguns verdadeiros sociopatas mesmo pelos padrões renascentistas italianos (Rodrigo e Cesare).

As actuações são mais misturadas, mas sempre na média... e depois temos a variação de sotaques típica da co-co-co-co-produção europeia: numa família nuclear de um cardeal, duas amantes, uma prima e quatro filhos, em que na realidade o patriarca era catalão e todos os outro italianos, temos o catalão com um agressivo sotaque ianque e os outros (os italianos) com sotaques mais ou menos pronunciados de quem vem do italiano, espanhol, alemão, alemão de origem russa, inglês (porque os irlandeses resolveram falar à bife), francês e checo, o que francamente me faz um tilt no cérebro que às vezes até me suspende a suspension of desbelief. Agora vou-me habituando, mas volta e meia ainda dói... de resto, um bálsamo:

https://www.youtube.com/watch?v=ZOTeIcLAubI


 

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