“Crendices Materno-Infantis” Clemente Moraes Sarmento in “Os Lactários e a Puericultura” nº. 10, 1957.
Recolha publicada post-mortem deste bendito médico e (mui organizado) etnógrafo amador (tão organizado que um antropólogo que já o foi profissionalmente está aqui, 69 anos depois, a tirar notas mentais).
Prenda acessória dum episódio da Paula sobre um dos mais obscuros museus lisboetas possíveis, a peça saltou-me tanto aos olhinhos que (antes de acabar o episódio, porque demoramos sempre 3 refeições pelo menos a ver seja o que for) já o tinha lido e podia discordar das mocinhas no ecran.
Recolha brilhantemente organizada: porque ele lhes dá uma numeração que segue o processo biológico da gestação, e uma alfabética geograficamente distribuída; exemplo:
“M-A-E-X-V-73 – As crianças não devem ser colocadas ao espelho porque tal se lhes atrasa a fala.”
O 73 (entre o 1 o 245) indica o imediatamente pós-parto porque as “crendices” estão organizadas de acordo com o ciclo biológico, ou seja: gravidez, parto, pós-parto, primeira infância; o M-A-E-X-V indica (de acordo com o mapa da pág. 11) uma confluência de crenças nas zonas do Minho, Beira Alta, Estremadura, Baixo Alentejo e Algarve.... Isto é um doce, e um doce de bom trabalho RECOLHIDA EXCLUSIVAMENTE EM ALFAMA o que o torna num truque muito mais impressionante.
De quebra ainda tropeço não só no exacto quebranto da minha avó Adília para “talhar o bicho” (pág. 32) como na famosa cura para ser augado do avô Alfredo da tua irmã (pág. 33).
Isto só dado.
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