A ouvir os novos do Conan.
Este cabrão é definitivamente a reencarnação do António.
A dissonância entre a força centrípeta do talento esmagador e a centrífuga gerada pela esmagadora estranheza é exactamente a mesma de quando eu era menino de escola e o ver na rua vaporoso era uma sensação tão estranha como lhe ouvir a música no programa do Júlio Isidro.
A maneira como colectivamente processamos (tentamos anular) a estranheza mudou: há 40 anos escoiceávamos até à exaustão (odiavam odiavam odiavam) até cair e aceitar e lá no fim caíamos para o lado, a arfar ofegantes, e lá aceitávamos que eventualmente as flores seriam entregues por sucessivos gigantes como a Manuela ou o Camané (e até por anões com sorte como o d. fonseca).
Hoje são imediatamente integrados (a Rafaela que me perdoe) no mais pastilha-elástica que há do pop, a Eurovisão depois de voltar a ser prestígio depois da vitória do mano Sobral, e a seguir cuspido para a irrelevância de qualquer subcelebridade que alguma vez participou num Big Brother.
O Todorov dizia que havia duas maneiras de censurar o passado: ou apagamos a informação ou a afogamos em informação irrelevante, a primeira táctica não resultou com o António, eu estou em esperanças que a segunda também não resulte com o Conan:
https://www.youtube.com/watch?v=-EvSL4WNJqw
houve um momento em que a Björk ultrapassou o Variações, agora o Conan ultrapassou a Björk. Reencarnação do Variações: ou o Conan ou a Rossana.

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