Discografia DCXXXVII Trovante / Luís Represas 1956–2026 Requiescat In Pace.

Andei aqui às voltas mas não dá para os dissociar.

Os Trovante foram uma coisa muito esquisita, fazem a transição perfeita entre a politização da intervenção e o lirismo dum Fausto tardio que nunca chegou a dar nada a não ser legiões de stores de liceu a fazerem etnomusicografia canhestra e a torturarem-nos com cavaquinhos em programas do Júlio Isidro,; um bando de betinhos da UEC a quem nunca vimos errar politicamente e faziam uma música enorme, cheia de coisas boas dentro e tão larga que abarcava a malta toda, a banda mais consensual de sempre mas eram bons, absurdamente bons.

São a maior coisa nesta terra durante uns bons mas não muito largos anos, mas era daquelas que fizessem o que fizessem funcionava sempre e nem era preciso cavalgarem a nostalgia, todos sabíamos quão talentosos eram o Luís e o João; acabam no auge sempre com aquele absoluto ar adorável de bons rapazes que sabem comer à mesa e têm montes de amigos homossexuais e os filhos baptizados, tão bem no salão como no beco. Não me lembro de nenhuma enorme referência, posterior ou passada, no momento, tão absolutamente consensual como os Trovante foram durante uma meia década nesta terra... nem a Amália no início da curva descendente.

O Luís era facilmente 45% da magia da equação. Um tipo tão boneco e tão adorável que eu, que ainda retenho algum do meu cinismo burro juvenil estava à espera que se viesse a saber que apalpava meninos ou apoiava activamente algum genocídio a decorrer porque lhe ajudava marginalmente num qualquer negócio... mas nada. No fim um tipo bonito, musicalmente talentoso, que participa num projecto absurdamente único. Isto sempre foi algo de monstruoso, nós é que ainda precisamos de uns tempos para nos apercebermos... não vai ser caso único, eu todos os dias tenho saudades dos Trovante, há muito tempo, mesmo antes do Luís se ir:

https://www.youtube.com/watch?v=O2h6NhYwHls

quem disse que o mar dos olhos, também sabe a sal?
 

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