Riyadh Comedy Festival, setembro e outubro de 2025.

Esta festarola em Riade no ano passado ainda me anda a dar o fel. A stand-up comedy não é uma forma de arte (para mim) como as outras, mete (deve meter) uma proximidade com o performer que mexe seriamente com a separação vida & obra... há grandes pinturas de violadores, mas em comédia não, em comédia (desta) não há mort de l’auteur.

A participação num “evento” destes tem que obrigar a uma avaliação moral por parte de toda a gente, e a sérios acertos de contas. Isto é expressamente parte da Vision 2030 do torcionário do MBS (Mohammed bin Salman) e do seu amiguinho Turki Al-Sheikh (o tipo encarregue do show business que tem uma ala inteira na prisão al-Há’ir só para meter youtubers e tipos que mandam bocas em directos na tv), o programa para lavar a imagem externa da Arábia Saudita (programa de que o Bezerro d’Ouro é parte activa e entusiasta).

Mas por partes e para memória futura, só falo dos que já conhecia, por estratos:

Nível 0 o FACHO Andrew Schulz – um merdas provavelmente desde que nasceu, um activíssimo trumpista e pela pinta facho só pelas views, estranho seria se não tivesse metido nesta caldeirada; totalmente irremediável.

Nível -1 os MERDAS Aziz Ansari – outro merdas sem gracinha nenhuma, completo funâmbulo, sempre o achei absolutamente intragável. Jack Whitehall – nunca me enganou, com a pinta de machinho desconstruidão (o queer baiting que ele fazia ao Stephen Fry no QI foi das coisas mais obscenas que vi em televisão).

Nível -2 os MEDIOCRES Hannibal Buress – nunca lhe gostei da crueldade, não foi por ter denunciado o Cosby que me subiu na consideração, depois de rico revelou-se ainda mais. Kevin Hart – um medíocre completo, o sucesso que tem só comprova a decadência cultural ianque.

Nível -3 os ANTES DESILUDIDO que ILUDIDO Aries Spears – veterano da MadTv, eu gostava deste gajo... Bobby Lee – outro da MadTv, mas este é um completo queimado, o mais certo é nem saber que foi a Riade. Jo Koy – outro tipo com piada que escusava de chafurdar, é sempre bonito ver um tipo que enche a boca com as origens filipinas depois limpar os coturnos dos sauditas. Maz Jobrani – outra esperança não-branca da gringa, este persa, mal-empregado. Pete Davidson – outro queimado, este com um pai bombeiro morto no 11 de Setembro, ao menos teve a decência de quando apanhado responder "eu só vi quanto me iam pagar". Sebastian Maniscalco – competente mas nunca foi para mim mesmo, sempre demasiado histérico, mas é bom ficar a saber. Whitney Cummings – se para o resto dos vendidos isto já é o degredo, para uma mulher... nem digo nada, quando apanhada veio-se chorar com o custo dos tratamentos do cancro da mãe (minha rica filha... cuja net worth é de 35 milhões de dólares, mas já falamos de dinheiro...).

Nível -4 os SONSOS o Fluffy, o Omid Djalili, o Mark Normand... óptimos, mesmo muito bons comediantes, e muito da paz e do amor e da harmonia. Do porque é que não somos todos amigos e percebemos que no fundo somos todos irmãos?!! Pelos vistos até ao dia dos 30 dinheiros! O cabranote do Djalili ainda teve o topete de ir para o “The Guardian” escrever sobre levar a comédia aos castanhinhos do médio-oriente para ver se calava os brancos que lhe mostravam o dedo do meio na bifa.

Nível -5 os RICOS tudo gajos de quem eu gostei mesmo muito e que logo que enriqueceram se estragaram: Dave Chappelle, um génio, que há muito tempo ficou musculadão e perdeu a cabeça, à vez queixa-se do racismo e do cancelamento enquanto acumula specials milionários na Netflix, alguém proteja este guerreiro da liberdade de expressão das mázonas transexuais, para ele poder assinar contratos onde promete não criticar a dinastia saudita e na volta ainda dizer que é mais fácil ser comediante lá do que na gringa. O assumidíssimo vácuo moral que é o Jimmy Carr... já lhe tínhamos comida a fraude fiscal (e as ridículas plásticas) por cima do bigode, mas com esta foi de vácuo a eclipse. Tom Segura, que mal ficou rico finalmente pode mostrar todo o fundo nojo que tem pelos pobres... vês, valeu a pena sabujar o grunho do Rogan, ir a Riade lavar a roupa sangrada dos sauditas é um: como não?!

Nível -6 os PORCOS. tudo enormes talentos o Jeff Ross a surpresa mais espectável da história, nem digo nada. Do Louis CK já falo mais à frente.

Nível -7 o Bill Burr – o tio Bill pode é ir muito para o caralho! É só isto, anos e anos e anos a encher a boca com a amoralidade do ambiente e como era absolutamente incompreensível que artistas riquíssimos se vendessem por um milhão para actuações privadas para os Kadhafi “how much fucking money do you need to make?”, agora servir de propagandista para os al Saud espero que ao menos pague ligeiramente melhor...

sim, porque falando de dinheiro, por mais opíparas que sejam as recompensas, não há nenhum mamífero acima mencionado que não seja milionário.. mesmo o merdas do Bobby Lee ainda tem um milhão, o mais grunho da turma das unidades de milhão: Spears (2 milhões); Schulz, Ross, Normand e o Pete (4 milhões cada); o Buress e o Djalili (5 milhões cada). Na turma das dezenas de milhões temos o Jobrani (13), o Segura (14), o Louis CK (20), o Burr e o Ansari (25), o Whitehall e o Koy (30), o Carr e a Whitney (35), o Maniscalco (45) e o Fluffy (com 50 milhões de dólares). E finalmente temos os gajos demasiado ricos para estarem na nossa realidade: o oprimido Chappelle (com 100 milhões) e o medíocre do Hart com 300.    

Mas falemos da vaca na sala: o Louie. O Louie não é, nunca foi o Louie, foi sempre o Louis Alfred Székely, nom de guerre Louis CK mas que anda há muito muito tempo a fingir que é o Louie. Todo o poeta é um fingidor e o fingimento do poeta que é o Louis é que é o Louie “só mais um merdas como vocês”... foi sempre tudo verdade menos o caroço da coisa, que é ele, tal como nós, não ter poder, e isso é mentira há muito tempo

O poder só existe no seu abuso (o Louie repetia-o à exaustão, porque não era um poeta, era um poeta-filósofo, o maior da geração), mas o que Louie pregava não se aplica ao Louis, que não é personagem mas gente mesmo e quando (não apanhado) denunciado se nos quebrou a ilusão (caso final de antes desiludido que iludido que já vivi) e depois tem sido só um despencar cada vez lamacento: a admissão manhosa e maquiavélica, o silêncio enquanto a legião de fãs se sujava na sua defesa, os tropeções (a história da casa-de-banho que mostra que há pior do que as queixas expressas), a piadinha de Parkland, o “I Love You Daddy”...

Riade para o Louis, não para o Louie que nunca existiu, é só mais um rebolar no lamaçal traçado a merda em que ele vive há muito muito tempo. Era para ser o maior da geração, agora vai ser acabar descrito como menos fascista que o Rogan e menos violador que o Cosby, espero que os milhões dos sauditas lhe sirvam para comprar um barco ligeiramente maior.
 

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