Notas feitas.
“Lives - an anthropological approach to biography” Lewis L. Langness & Gelya Frank, 1981
ainda à volta de como trabalhar a memória: a empatia, as tecnicalidades da entrevista, das notas, do diário de campo, as enormes questões à volta dos limites éticos do que estamos a tentar fazer.
“Os Filhos de Sánchez” Oscar Lewis, 1961
um grande clássico que tem de ser lido nem que seja para ser ultrapassado. Donde vem a ideia que os pobres são sempre muito mais parecidos duma sociedade para outra do que os respectivos ricos. Anda há 70 anos a levar porrada este livro, eu continuo a não o achar absolutamente ultrapassado, em cima disso tem óptimas páginas sobre a relação investigador / informantes.
“Biography and Society - the life history approach in the social sciences” Daniel Bertaux, 1981 (prefácio e “From the Life-History Approach to the Transformation of Sociological Practice”)
ainda a memória enquanto possível objecto: a autobiografia, os “positivistas” e os dramas da representatividade, saturação e bola de neve, guião e presença do investigador na investigação.
“Memória e Sociedade – lembranças de velhos” Ecléa Bosi, 1973
o papel dos velhos, individual e colectivo, sobrevivência memorial e confronto com história oficial, peso do passado no presente e vice-versa, o desejo de explicação.
“A Resistência Antifascista em Portugal - Comunistas, Democratas e Militares em Oposição a Salazar 1941-74” D.L. Raby, 1988
saltos e pinotes da resistência e oposição ao Botas, especialmente iluminador quanto às tricas e ranhosices da ponta esquerda, comunistas a morderem-se uns aos outros.
“Memória Social - novas perspectivas sobre o passado” James Fentress & Chris Wickham, 1992
patadas no Halbwachs, contraponto ao excesso colectivo, alta teoria de como se construir o objecto, memória passiva e activa, esquecimento, memória como recombinação, papel da imaginação, simplificação, esquematização, conceptualização, questão central da interpretação, esborratamento, memória menos como retrato do passado do que explicação do presente, validade científica mesmo apesar disso.
"Pratiques Anthropologiques et Histoire de Vie" Françoise Morin, 1980
os pruridos dos sociólogos com as histórias de vida, as cauções do Mauss e do Bastide.
“The Myths We Live By” editado p/ Raphael Samuel & Paul Thompson, 1990
com artigos deles e da Elizabeth Tonkin, Jean Peneff, Luisa Passerini, Rosana Basso, Alistair Thomson e mais um monte... testemunho, revisionismo pessoal e social, mito na história, questão da audiência, confissão e descuido, mentira, mágoa, auto-repressão, mentira posterior a ser engolida p/ quem lá esteve, exageros, ucronias, distorção.
“The Voice of the Past – oral history” Paul Thompson, 1978
o propósito da história oral, a história da história oral, o querer esquecer, o escrito e oral e objectivo e subjectivo, condicionalismos da técnica, representatividade, memória a trabalhar.
“Domination and the Arts of Resistance – hidden transcripts” James C. Scott, 1990
hegemonia em Gramsci, grossa e fina, naturalização, hegemonia e incorporação na História, mito batiushka, resistência dos subordinados, saturnalia e libertação.
“Uchronic Dreams – working class memory and possible worlds” Alessandro Portelli, 1988
a ucronia.
“Consciência Histórica e Identidade – os jovens portugueses num contexto europeu” José Machado Pais, 1999
os meninos a olhar para o fascismo e colonialismo e a chegar a conclusões esquisitas, como e porquê? Tio Zé conta e ensina.
“Portugal e o Futuro – análise da conjuntura nacional” António de Spínola, 1974
o Caco, mentira um monte de moços do estado-maior dele que sabiam escrever, publicam este manifesto na 29ª hora da guerra, cheio de ideias que seriam compridas em 1961 e completo delírio em 74. Foi uma grande pedrada no charco, mas antes de mais porque o charco era um lodo morto desde a sobrevivência do regime à II Guerra Mundial.
“Marcello Caetano – confidências no exílio” Joaquim Veríssimo Serrão, 1984
tio Joaquim, o mais facho dos professores de História nacionais, mete-se num avião para ir ao Brasil choramingar com o seu melhor amigo, tio Marcello (padrinho do outro) não o mais facho dos professores de Direito nacionais (esse era o Soares Martinez, o terror do meu pai e dos coleguinhas dele)... extraem-se pérolas sobre sereias encantadas e de como o 25 de Abril “jamais resistirá ao juízo implacável da História”.
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