Poesia, Ângelo de Lima, (edição BN) 2023.
Este gajo é fortíssimo, razão tinham os miúdos da Orpheu!
Há aqui arroubos que só mesmo fechado no manicómio “Com os cânticos dos filhos dos sertões... Dorme o branco avergado do cansaço...”; momentos duma beleza esmagadora “Quem da lagarta a rastejar na terra Pode supor, Sonhar sequer, que um dia há-de nascer A borboleta, aquela alada flor” (na carta-queixa por conta do tratamento que lhe dá o Miguel Bombarda). A luta obsessiva à volta do “pensamento, cavalo alucinado” só me lembra a do poema final do Rimbaud,
e no entanto prefiro o:
Sósinho
Quando eu morrer m’envolva a Singeleza,
Vá sem Pompa a caminho do coval,
Acompanhe -me apenas a tristeza
Não vá do bronze o som de val’em val!
Chore o ceu sobre mim de orvalho as bagas
Luz do sol-posto fulja em seu crystal,
Cantem-me o – dorme em paz – ao longe as vagas.
Gemente a viração entôe o Amen
Vá assim té ermas, affastadas plagas...
Lá... fique eu só!
Não volte lá ninguem!
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