“Secrets d’Histoire s09 e04 Les femmes de la Révolution” France 3, 2016.

Eu a pensar que íamos ter um episódio sobre o papel das mulheres na Revolução Francesa (...tão crescido e aussi naïf) mas não... temos direito a 6:

A Théroigne de Méricourt, a performer, l’amazone rouge, a revolucionária meia doida que depois ensandece de vez e acaba no zoo da Salpêtrière, a matar-se à fome, esquecida de todos menos doutro doido como o Baudelaire:

Avez-vous vu Théroigne, amante du carnage,

Excitant à l’assaut un peuple sans souliers,

La joue et l’œil en feu, jouant son personnage,

Et montant, sabre au poing, les royaux escaliers ?

A Olympe de Gouges, a feminista anti-esclavagista e anti-colonialista e única verdadeira revolucionária desta turma, exige o sufrágio mesmo universal e escreve a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã” logo a seguir à outra, o que faz com que todos os esquerdomachos a etiquetem como desequilibrada, mas é só quando se atira ao Robespierre (chama~he l’opprobe et l’exécration) é que vai parar ao cesto.

A Manon Roland, a política atrás do pano, a eminência cor-de-rosa (como lhe chama o de Decker com muita graça) a escrever os discursos e proclamações do marido ministro. Escreve a carta que empurra a república por mais que queira absolver o cidadão Capeto. Deixa-se prender e guilhotinar enquanto ajuda o marido a fugir, este, quando sabe, mata-se.

E depois temos a Charlotte Corday, a assassina. Claro que numa visão da revolução que é só sangue, terror e canibalismo, à Charlotte só lhe faltam as harpas dos anjos... ela é linda, ela é boa, ela lê Rousseau, ela é uma espécie de feminista, mais girl boss que isto só a Joana d’Arc; eu nem digo nada.

Depois a Thérésa Tallien, a maravilhosa, nossa senhora do Thermidor. Ao negócio de corrupção do Tallien em Bordéus chamamos “generosidade aos amigos”, sem relação com o facto de voltar a Paris “enriquecido pelas multas” (como?!). Amiga da Josefina na choldra, safam-se na 25ª hora quando o Tallien e o Fouché cozinham a queda do Comité de Salut Public. Quando o Tallien se revela um inútil salta para a cama do Barras. Com o consulado a Josefina larga-a e eventualmente acaba princesa de pacotilha no que virá a ser a Bélgica.

Finalmente a Germaine de Staël, a intelectual. Filha do Necker, republicana moderada, amiga do Talleyrand, desprezava o Napoleão; encabeça no exílio a oposição bem-pensante e melhor alimentada ao Império e acaba a bater palmas à Restauração...

Que belas “mulheres da Revolução”, mais madames que mulheres, mas pronto. Ainda bem que não sou francês.
 

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