Notas Feitas.

“As Guerras Coloniais Portuguesas e a Invenção da História” Luís Quintais, 2000

não há nada de incorreto, o trabalho é sério, mas eu sempre embirrei com isto (e não é dele ser do ISCTE e ter fugido para Coimbra).. há aqui uma isenção (nem tenho a certeza q seja isso) que me encabra, que me desagrada.

 

“Slow Motion - changing masculinities, changing men” Lynne Segal, 1990

eu não digo nada a não ser: vão ler esta senhora, ponto final parágrafo.

 

“A War of Nerves - Soldiers and Psychiatrists in the Twentieth Century” Ben Shephard, 2001

para a hisória do stress pós-traumático de guerra, versão branca desde a I Guerra Mundial, isto quase que chega.

 

“Violence - terrorism, genocide, war” Wolfgang Sofsky, 2002

Abordagem quase filosófica à violência, prazer na violência, figura do herói, ritual, disciplina, terror, “barbárie” e “civilização”, colaboracionismo, vingança, etc.

 

“A Arte da Guerra” Sun Tzu, +-500 a.C.

velhíssimo clássico, continua a ensinar... a ensinar a tropa a matar o inimigo, mas não só. Falo muito a sério: mas não só.

 

“On Violence” Hannah Arendt, 1972

tia Hannah, como de costume, anda para a frente e para trás, mete neste plano e no outro e no de baixo, diz umas cenas interessantes pelo meio, sabe que o poder é veneno mas recusa-se a tomar uma posição moral sobre isso... em rigor eu comecei a embirrar com a Arendt logo que a comecei a ler: passado este tempo todo acho que já a percebi... a Hannah Arendt queria ser um grunho funcional de direita mas teve um azar da porra: nasceu mulher judia e inteligente em 1906 na Alemanha, foi um azarex para ela e uma sorte para o resto da Humanidade.

 

“Before the Law - the narrative of the unconscious in basque political violence” Begoña Aretxaga, 2004

tipa fortíssima, morreu nova. Basca, trabalha muito lógica simbólica e linguagem da violência, fortíssima.

 

“Anthropology and HUMINT” Andrew Bickford, 2009

nós (os antropólogos, e para esta incluo-me) temos a consciência do perigo que decorre do que fazemos (e se não temos, temos a obrigação de ter: o Georges Condominas foi em 1954). Este vivaço, entre outros, saltou logo para apontar como o cultural understanding is a weapon.

 

“The Continuum of Violence in War and Peace - post-cold war lessons from El Salvador” / “US Inner-city Apartheid: the contours of structural and interpersonal violence” Philippe Bourgois, 2001 / 2002

este foi, às vezes, demasiado fundo em trabalho de campo. Entre malta que estuda violência e troca naturalmente, histórias de campo, todos sabemos a do Bourgois e nos encolhemos de horror quando nos lembramos... e em rigor encolhemo-nos pelas razões erradas (mas isso é outra conversa... já explicada por uma colega que trabalhou moços da indústria de armamento)... mas o Bourgois é inevitável, e o Bourgois é muito bom mesmo e por isso merece.

 

“La Torture Pendant la Guerre d’Algérie” Raphaëlle Branche, 2004

cena funda... isto é antropologia e eu nem sei se esta moça é antropóloga ou historiadora ou socióloga ou lá o que seja: pegar num caso, esmiuçá-lo até ao vómito, desmontá-lo e remontá-lo e fazer o boneco da coisa, no fim sentarmo-nos e tentar chegar a uma conclusão grande.
 

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