Porto, Matosinhos, Abadia tentativa qq coisa.
E vou aí acima outra vez... como a história se arrasta há mais de 3 anos activamente não falo nisso, nem sequer penso quanto mais, lá donde venho chama-se “não agoirar”; afinal isto já meteu umas quatro tentativas, aviões parados, comboios perdidos, chuvas torrenciais e pandemias mundiais, por isso nem pio, nem ideia disso.
Apanho o Alfa, Campanhã, tudo regular e a chegar aí às 8 da noite; meto-me no táxi e pergunto ao senhor “conhece-me a Abadia ali na Passos Manuel?” o senhor conhece, óptimo é para aí. Chegamos, está aberto, entro, cumprimento a mocinha e digo que sou eu para jantar, ela dá-me uma mesa e dá-me a um empregado de mesa, o moço vem e eu pergunto-lhe se ainda se faz o cabrito no forno, ele diz que sim claro, eu digo que quero meia-dose disso, meia-lata de tinto e uma cesta de broa, ele diz que pois está claro, vai-se, eu lavo as patas e sento-me com a broa e a meia-lata, lavadinho e descansado e a ouvir música nos phones... tenho ali um momento de “já cá cantas” (hubris chamavam-lhe os gregos).
Estou a morder a broa e passa o moço e faz aquela coisa do bom empregado de mesa que nos assegura que está quase... há qualquer no que ele diz e eu não ouço por conta dos phones que não me cheira; a cara dele não se mexeu como quem diz cabrito, mas outra coisa qualquer... Mordo a broa... e vejo-o a pegar na minha tralha ao fundo: esparregado, arroz de miúdos e a espantosa Vitela com batatas no Forno da Abadia... ele serve sorridentemente, eu sorrio seráfico enquanto ouço as esferas rodar celestialmente, ele diz bom-apetite e eu agradeço enquanto ouço o universo a rir-se de mim, nem estremeço, respiro fundo e francamente, fico mais perto de acreditar no irracional (para haver um Deus tinha de ser um com sentido de humor, olhai os ornitorrincos do campo). Afivelo o meu melhor Marco Aurélio, melhor próprio japonês ou da Avó Belandina, papo a Vitela (deliciosa diga-se...) saio, passeio por ali abaixo a cheirar a quase maresia das ruas daí, relembro-me como o Porto é escuro, não só de dia por comparação com a exposição solar e cor da pedra de Lisboa, mas mais grave de noite porque a iluminação pública parece uma merda dos anos 50.
Meto-me num táxi lá para Leixões, não respondo à tua irmã quando me pergunta se sempre comi o cabrito, rio-me de mim para mim, isto passou a topos, qualquer coisa de telúrico, no dia que o comer há de ser uma merda ou morro engasgado.
Espernear é prova de vida.

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