“Exiting the Vampire Castle” in The North Star, Mark Fisher, 2013.

Eu ando há anos e anos e anos para lhe ler o monstro do “Capitalist Realism”, eu nunca leio nada à pressa, muito menos teoria com que tenho sempre muito cuidado; este moço foi a coqueluche durante 5 minutos, depois matou-se e todo o bicho careto lhe continua a citar sempre a mesma frase que eu nem sei se ele escreveu mesmo “mais fácil imaginam o fim do mundo que o fim do capitalismo”. Apanho-lhe este artigo por vias travessas sobre os cancelamentos que, supostamente, estavam a atacar muito lá nos 2013s...

Por partes e tirar a maior de cima da mesa: o exemplo que ele escolhe para montar o palanque é o Russell Brand... o Russell Brand nunca passou dum espalha-brasas que houve um momento que pode ter parecido estar do lado de cá, mas sem jactância nenhuma, a mim nunca me enganou, um completo hack especialmente concentrado em fazer barulho e manter a relevância mediática: suposto actor, suposto comediante, suposto activista, nunca lhe vi nada que não me espichasse todos os cabelos. O Fisher chama-lhe miraculoso.

Depois, muito depois disto, o Brand foi apanhado (apanhado não, não é como que tenha sido preso ou assim) num rol de acusações de violações e abusos sexuais vários mais comprido do que eu e ipso facto converteu-se ao cristianismo trumpista e agora virou influencer antivax / cristão / criptofacho / machinho da net e continua por aí a contaminar a atmosfera com a possibilidade de sacar do bolso um artigo do Mark Fisher onde este lhe chama miraculoso.

Mas a análise não é vácua. O Fisher aponta-nos certeiramente a tendência individualista solipsista mesmo e perverso-puritana que se alimenta da ansiedade juvenil e converte o sofrimento dos grupos marginalizados em capital simbólico... imagina se ele tivesse lido o Nogueira Pinto.

O gajo é (era) esperto que num alho, mas tem aqui uma tendência essencialista de classe tão grave que lhe ofusca um grifter tão obviamente medonho como o Brand, mas mesmo assim acho-lhe menos grave a miopia com este merdas do que a tinha (como em tinhoso) de qualquer ataque a quem eu percepciono como working class ser um ataque à working class mesmo que seja por um coro de dezenas de abusadas e o miraculoso ser um milionário vitimizado prestes a dar a pirueta directa para o neofascismo sem sequer soluçar...

aí Mike, como dizia o outro: errou... errou feio, errou rude!

A metáfora do castelo do vampiro também é foleira à brava, estes gajos da Filosofia quando emerdam é sempre a sério.
 

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